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PARTEIRAS – SEGURANÇA NO PARTO

FONTE – PORTAL DA SAÚDE

Acompanhante no parto traz mais segurança para a mãe

Hospitais do SUS têm até o próximo mês para adaptar suas instalações e procedimentos à nova regra.

Estudos científicos apontam evidências de que os partos realizados com a presença de um acompanhante trazem grandes benefícios e evitam problemas à saúde da gestante. As mulheres atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) têm o direito de escolher alguém de sua confiança para estar presente na sala de parto e também durante o pós-parto. Esse direito é resultado de uma série de ações do Ministério da Saúde para melhorar a qualidade do atendimento às gestantes e humanizar os partos no país.

A presença do acompanhante no parto e pós-parto nas maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS) é garantida pela Lei 11.108, de abril de 2005. Em dezembro do ano passado, uma portaria do Ministério da Saúde regulamentou esse direito. Os hospitais do SUS têm até junho para se adaptar à medida.

De acordo com 14 estudos científicos brasileiros e internacionais realizados em mais de cinco mil mulheres, as gestantes que contam com um acompanhante no parto e no pós-parto ficam mais tranqüilas e seguras durante o processo. A presença do acompanhante também contribui para redução do tempo do trabalho de parto e para diminuir o número de cesáreas (partos cirúrgicos).

“Durante o trabalho de parto, é normal a mulher sentir medo e insegurança. Esse medo muitas vezes aumenta a dor das contrações e a experiência do parto torna-se traumática”, explica a técnica da Coordenação de Saúde da Mulher do Ministério da Saúde, Daphne Rattner. “A presença do acompanhante diminui esses obstáculos e transforma o acontecimento em uma experiência positiva e inesquecível”, diz.

A permanência de uma outra pessoa junto à mulher no parto e pós-parto contribui ainda para reduzir a possibilidade da paciente sofrer de depressão pós-parto, doença que hoje atinge cerca de 15% de todas as mães do mundo.

Além de oferecer tranqüilidade e segurança, o acompanhante pode ajudar a mulher nas tarefas básicas com o bebê no pós-parto, quando a mãe encontra-se em fase de reabilitação.

Vínculo afetivo – Os profissionais de saúde ressaltam mais pontos positivos na presença de um acompanhante para a mãe nos primeiros momentos de vida do bebê. Eles verificam que a participação dos companheiros na assistência ao parto pode melhorar o vínculo afetivo entre o casal. “Ao presenciar o esforço da mulher em dar a luz, seu companheiro passa a admirar e valorizar mais a figura feminina”, explica Daphne Rattner. Segundo a técnica do Ministério da Saúde, há um momento no pós-parto em que é estabelecido um vínculo emocional entre mãe e filho e se o pai participa, isso fortalece os laços entre os membros da família. Daphne afirma que “nos partos cirúrgicos, nos quais raramente é permitida a participação do companheiro, perde-se a chance de viver essa experiência”.

A brasiliense Juliana Cristina pôde contar com a presença da avó, Josélia Maria da Conceição, no nascimento da filha, em dezembro do ano passado. “Foi uma grande emoção o nascimento da minha filha e ter a minha avó presente”, lembra Juliana. “Minha avó segurou a minha mão o tempo inteiro, durante o parto. Seu apoio foi fundamental”, conta.

O sociólogo Luis Eduardo Batista, de 41 anos, não desfrutou da experiência de acompanhar sua esposa durante o parto. Para ele, a presença do pai é importante, pelo apoio que ele pode dar à mãe.  “Em uma sociedade em que o pai tem uma participação considerável em todo o processo de formação e educação da criança, é essencial a presença dele também no momento do nascimento de seu bebê”, diz. O sociólogo conta que esteve presente em todas as fases da gravidez e do pré-natal da esposa. No entanto, não conseguiu a autorização da equipe médica para assistir ao nascimento do bebê. “Foi muito frustrante aguardar uma noite inteira por notícias sobre a minha mulher e meu filho. Queria muito ter acompanhado o parto”, lamenta.

Tecnologia – Com os avanços tecnológicos na medicina, os atendimentos aos partos sofreram mudanças, algumas não positivas. Alguns medicamentos que nem sempre são essenciais para o bem-estar da mãe ou de seu bebê acabam ministrados freqüentemente. Segundo Daphne, “as mulheres optam por usar anestésicos e soros que antecipam as contrações e até dão preferência às cesáreas por medo de sofrer as dores do parto”.  Os profissionais de saúde muitas vezes preferem esses artifícios por facilitar o trabalho e diminuir o tempo de espera para o nascimento. A técnica do

Ministério da Saúde chama a atenção de que esse tipo de “comodidade” não significa necessariamente a opção ideal.

Governo promove cursos para humanização e treina parteiras

O Ministério da Saúde promove cursos nas maternidades vinculadas ao SUS para conscientizar os profissionais sobre a necessidade de mudar práticas e humanizar partos. Os seminários de Qualificação na Atenção Obstétrica e Neonatal Humanizados, com Base em Evidências Científicas são criados com o apoio das secretarias estaduais e municipais de Saúde, de organizações profissionais e de organismos internacionais.

Ao todo, funcionários de cerca de 250 maternidades já foram qualificados. Mais encontros acontecerão em diversas regiões brasileiras ainda neste ano. A meta do Ministério da Saúde é qualificar 300 maternidades responsáveis por cerca de 70% dos nascimentos em hospitais públicos no Brasil.

Doulas – O parto normal também é estimulado em cursos para enfermeiras obstetras. Cerca de 1.700 profissionais já receberam qualificação. O ministério também tem investido na qualificação de doulas. São mulheres voluntárias com vasta experiência em ajudar e tranqüilizar as gestantes durante o trabalho de parto.  O Ministério da Saúde já treinou 350 doulas em 13 cursos.

O ministério também desenvolve o programa “Trabalhando com Parteiras Tradicionais”. A iniciativa pretende melhorar a atenção ao parto domiciliar e busca sensibilizar os gestores do SUS e profissionais de saúde para que reconheçam as parteiras como parceiras e desenvolvam ações para apoiar e qualificar o trabalho.

Outra frente de atuação é o incentivo à realização do parto normal, com a efetiva redução das cesarianas desnecessárias. Segundo Organização Mundial da Saúde (OMS), uma taxa de cesariana aceitável está na faixa de 10% a 15%. A medida tem como objetivo principal reduzir as taxas de internações e mortes materna e perinatal (nos períodos antes e depois do parto).
Em 2002, uma portaria do ministério definiu para estados e para o Distrito Federal percentuais máximos de cesarianas em relação ao número total de partos realizados.

Todas essas medidas fazem parte do Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), instituido pelo Ministério da Saúde em 2000, para assegurar acesso e qualidade do acompanhamento ao pré-natal, da assistência ao parto, pós-parto e neonatal.

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